sexta-feira, 6 de abril de 2012

LAMENTO DA LUA NA PROVÍNCIA [tradução minha]

Jules Laforgue
                         
Ah, a bela e plena Lua,
Gorda como uma fortuna!

Uma sirene soa distante.
Um passante! É o senhor Ajudante;

Um cravo toca sem graça.
Esquivo, um gato cruza a praça;

É a província que dorme
Bocejando seu último acorde.

Um piano fecha sua janela
- Que hora será esta?

Calma lua, que exílio!
Cumpre assim o teu desígnio.

Lua, ó lua diletante,
Em seu vagar hesitante.

Tu viste ontem o Missouri
E os arredores de Paris,





Os golfos azuis da Noruega,
Os pólos, os mares – que mais?

Lua feliz, tu assim te vais
A esta hora, arrastando o séquito

Do teu comboio de núpcias!
Se vão partindo para a Escócia.

Que  universo, se, neste inverno,
Ela ficasse em meus versos!

Lua, Luna vagamunda,
Encontro-te ronda rotunda.

Ó noites ricas! Em mim recolho
Uma nesga de província.

E a lua, velha balofa,
Põe algodão nas orelhas.





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